sábado, 20 de setembro de 2014

Sobre A Psicoterapia

                                                 Resumo Do Texto: Sobre A Psicoterapia



      1° A Fundamentação Da Psicoterapia Analítica - (f) Para concluir, senhores colegas, devo admitir que não é justo monopolizar sua atenção por tanto tempo, em favor da Psicoterapia Analítica, sem lhes dizer em que consiste esse tratamento e em que está fundamentado. Ainda assim, posto que tenha de ser breve, só posso fazer-lhes um esboço.

      Essa Terapia baseia-se, pois, na concepção de que as Representações Inconscientes - ou melhor, a Inconsciência de certos processos Anímicos - são a causa imediata dos sintomas patológicos. Partilhamos dessa convicção com a escola francesa (Janet), que aliás, numa esquematização excessiva, atribui a origem do sintoma histérico a uma idée fixe Inconsciente. Mas não temam os senhores que isso nos precipite nas profundezas da mais obscura filosofia. 

      Nosso Inconsciente não é de modo algum idêntico ao dos filósofos, e além disso, a maioria destes nada quer saber sobre algo "Psíquico Inconsciente". Entretanto, caso os senhores se situem em nosso ponto de vista, compreenderão que a transformação desse Inconsciente da vida anímica do enfermo num material Consciente só pode ter como resultado a correção de seu desvio da normalidade, bem como a eliminação da compulsão a que sua vida anímica estivera sujeita. É que a vontade Consciente estende-se apenas aos Processos Psíquicos Consciente, e toda Compulsão Psíquica é fundamentada pelo Inconsciente. Tampouco devem os senhores temer que o enfermo sofra algum dano em função do abalo trazido pela entrada do Inconsciente em sua Consciência, pois podem explicar a si mesmos, teoricamente, que o efeito somático e afetivo da moção Inconsciente. Só dominamos todas as nossas moções por dirigirmos para elas nossas mais elevadas funções anímicas, que estão ligadas à Consciência






      2° Compreendendo O Tratamento Psicanalítico - Mas também lhes é possível escolher outro ponto de vista para compreender o Tratamento Psicanalítico. O desvendamento e a tradução do Inconsciente realizam-se sob uma Resistência contínua por parte do enfermo. O afloramento desse Inconsciente está vinculado ao Desprazer que o doente o rejeita vez após outra. É nesse conflito na vida anímica do paciente que os senhores intervém; se conseguirem levá-lo a aceitar, motivado por uma compreensão melhor, algo que até então rejeitara (recalcara) em consequência dessa regulação automática do Desprazer, terão realizado com ele parte de um trabalho educativo. 






      3° A Importância Da Compreensão Da Sexualidade Humana - Mas em nenhum ponto essa pós-educação é mais necessária, nos doentes nervosos, do que no tocante ao elemento anímico de sua vida sexual. É que em parte alguma a Cultura e a Educação causaram danos tão grandes quanto justamente ai, e é também ai, como lhes mostrará a experiência, que se encontrarão as etiologias das Neuroses passíveis de ser dominadas; quanto ao outro elemento etiológico, a contribuição constitucional, ele nos é dado como algo inalterável. Mas daí decorre uma importante exigência a ser feita ao médico. Não apenas ele próprio tem de ser de caráter íntegro - "Quanto à moral, nem é preciso falar", como costumava dizer o personagem principal de Auch Einer, de Vischer -, como também deve ter superado, em sua própria pessoa, a mescla concupiscência e puritanismo com que, lamentavelmente, tantos outros estão habituados a enfrentar os problemas sexuais. 



sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Sobre A Psicoterapia

                                                   Resumo Do Texto: Sobre A Psicoterapia


       1° As Indicações E As Contra-Indicações Do Tratamento Analítico - (1) Afora a doença, deve-se reparar no valor da pessoa em outros aspectos e recusar os pacientes que não possuam certo grau de formação e um caráter razoavelmente digno de confiança. Não se deve esquecer que há também pessoas sadias que não prestam para nada, e que com excessiva facilidade, em se tratando desses indivíduos de valor reduzido, tende-se a atribuir à doença tudo o que os incapacita para a existência, quando lhes ocorre mostrar algum laivo de neurose.


     Ora, a Psicoterapia Analítica não é um procedimento para tratar a degeneração neuropática, encontrando nesta, ao contrário, sua limitação. Tampouco é aplicável às pessoas que sejam levadas à Terapia por seu próprio sofrimento, mas antes submetem-se a ela apenas pela ordem autoritária de seus familiares.





Sobre A Psicoterapia

                                                Resumo Do Texto: Sobre A Psicoterapia


      1° Nota Sobre O Tratamento Psicanalítico - Sem dúvida, o Tratamento Psicanalítico faz grandes exigências tanto ao doente quanto ao médico; do primeiro reclama o sacrifício da Sinceridade Total, mostrando-se demorado e, por isso mesmo, também custoso, para o médico, é igualmente demorado, e em vista da técnica que ele tem de aprender e praticar, é bastante trabalhoso. Por isso, considero perfeitamente justificável que se recorra a Métodos Terapêuticos mais cômodos, desde que haja uma perspectiva de conseguir algo através deles. Esse é, afinal, o único ponto decisivo; se, com o procedimento mais trabalhoso e prolongado, consegue-se mais do que com o método breve e fácil, justifica-se o uso do primeiro, apesar de tudo. Pensem, senhores, em quão mais incômoda e custosa é a Terapia de Finsen para o lúpus do que o método antes empregado de cauterização e raspagem; não obstante, o uso do primeiro significa um grande avanço, simplesmente porque rende mais; promove uma cura radical.

      Ora, não quero impor essa comparação, mas o Método Psicanalítico pode reclamar para si um privilégio similar. Na realidade, só pude elaborar e testar meu método terapêutico em casos graves ou gravíssimos; a princípio, meu material compôs-se unicamente de enfermos que tudo haviam tentado sem êxito e que tinham passado anos em instituições. Mal pude reunir experiência suficiente para dizer-lhes como se comporta minha Terapia nas doenças mais leves, de surgimento episódico, e que vemos curar-se sob as mais diversificadas influências e até de maneira espontânea. A Terapia Psicanalítica foi criada com base em doentes permanentemente incapacitados para a existência a eles destinada, e seu triunfo consiste em ter tornado um número satisfatório destes permanentemente aptos para a vida. Frente a esse resultado, todos os esforços despendidos parecem insignificantes. Não podemos dissimular de nós mesmos o que, perante o enfermo, estamos acostumados a negar: que a neurose grave, para o indivíduo que dela padece, não tem a menor importância do que qualquer caquexia, qualquer das temidas grandes enfermidades. 




quarta-feira, 27 de agosto de 2014

27 De Agosto - Dia Do Psicólogo


      No dia 27 de agosto é comemorado no Brasil o Dia do Psicólogo. Nesta mesma data, no ano de 1964, a profissão foi regulamentada através da Lei 4.119/64.  

      A palavra Psicologia vem do grego: psique (alma) + logos (estudo). Ou seja, a Psicologia estuda a alma humana. Durante toda sua história, o homem buscou respostas para questões existenciais. A filosofia sempre se ocupou desta procura por respostas. Mas estas questões, por mais humanas que fossem, diziam respeito ao conjunto da sociedade, à humanidade como um todo.  

      Por outro lado, a Psicologia buscava não uma definição do homem enquanto ser coletivo, mas sim do homem indivíduo, de suas angústias, suas inquietações.  

      Apesar de muitos filósofos e pensadores terem se ocupado da mente humana em seus estudos, foi apenas no século XVI que apareceu pela primeira vez o termo Psicologia, quando o humanista croata Marco Marulik publica A Psicologia do Pensamento Humano.  

      Ainda assim, um conceito de Psicologia, tal como conhecemos hoje, só veio surgir no século XIX, através das formulações de Wilhelm Wundt que, em 1879, criou o primeiro laboratório de Psicologia, em Leipzig , na Alemanha. Suas idéias, porém estavam ainda muito atreladas a conceitos fisiológicos e não avançaram muito.  

      Diversas escolas da Psicologia foram se desenvolvendo: Behaviorismo, Psicanálise, Gestalt, Desenvolvimentista, Humanismo. Cada uma dessas escolas tem uma perspectiva diferente de estudo da Psicologia: para os behavioristas é o comportamento, para os psicanalistas é a alma através do inconsciente, para os Gestaltistas, é o homem por meio de sua percepção;  e, para os desenvolvimentistas, a relação desenvolvimento / aprendizagem.

Cada escola aborda o “eu” conforme sua ótica, mas todas se empenham em tratar os conflitos, as angústias e o equilíbrio emocional do indivíduo. A todos os profissionais que se dedicam ao bem estar psíquico das pessoas, sejam eles seguidores de Freud, Jung ou outros pensadores, um grande abraço.










sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Sobre A Psicoterapia

                                                Resumo Do Texto: Sobre A Psicoterapia


      1° A Diferença Entre O Método Sugestivo E O Método Analítico - Observo que esse método (Analítico) é muito confundido com o Tratamento Hipnótico por Sugestão; e reparei nisso porque, com relativa frequência, colegas de quem aliás não sou o homem de confiança enviam-me pacientes - doentes refratários, é claro - com o pedido de que eu os hipnotize. Ora, ocorre que há uns seis anos já não tenho usado a Hipnose para fins terapêuticos (salvo em algumas experiências isoladas), de modo que costumo mandar esses encaminhamentos de volta com o conselho de que quem confia na Hipnose deve praticá-la pessoalmente. Na verdade, há entre a técnica Sugestiva e a Analítica a maior antítese possível, aquela que o grande Leonardo da Vinci resumiu, com relação às artes, nas fórmulas per via di porre e per via di levare. A pintura, diz Leonardo, trabalha per via di porre, pois deposita sobre a tela incolor partículas coloridas que antes não estavam ali; já a escultura, ao contrário, funciona per via di levare, pois retira da pedra tudo o que encobre a superfície da estátua nela contida. 


Leonardo da Vinci

      De maneira muito semelhante, senhores, a Técnica da Sugestão busca operar per via di porre; não se importa com a origem, a força e o sentido dos sintomas patológicos, mas antes deposita algo - A Sugestão - que ela espera ser forte o bastante para impedir a expressão da ideia patogênica. 




      A Terapia Analítica, em contrapartida, não pretende acrescentar nem introduzir nada de novo, mas antes tirar, trazer algo de fora, e para esse fim preocupa-se com a gênese dos sintomas patológicos e com a trama psíquica da ideia patogênica, cuja eliminação é sua meta. Por esse caminho de investigação é que ela faz avançar tão significativamente nossos conhecimentos. Se abandonei tão cedo a Técnica Sugestiva, e com ela, a Hipnose, foi porque não tinha esperança de tornar a Sugestão tão forte e sólida quanto seria necessário para obter a cura permanente. Em todos os casos graves, vi a Sugestão Introduzida voltar a desmoronar, e então reaparecia a doença ou um substituto dela. Além disso, censuro essa técnica por ocultar de nós o entendimento do jogo de forças psíquico, ela não nos permite, por exemplo, identificar a Resistência com que os doentes se aferram a sua doença, chegando em função disso a lutar contra sua própria recuperação; e é somente a Resistência que nos possibilita compreender seu comportamento na vida.


                                 

Sobre A Psicoterapia

                                                    Resumo Do Texto: Sobre A Psicoterapia


      1° Qual Método Psicoterápico Seria Mais Eficiente? - Há muitas espécies de Psicoterapia e muitos meios de praticá-la. Todos os que levam à meta da recuperação são bons. Nosso consolo corriqueiro, que tão liberalmente dispensamos aos enfermos - "Você logo ficará bom de novo!" -, corresponde a um dos métodos Psicoterapêuticos; mas agora que temos discernimento mais profundo da natureza da neurose, não somos obrigados a ficar restritos a esse consolo. 

      Desenvolvemos a técnica da Sugestão Hipnótica, a Psicoterapia através da Distração, do Exercício e da Provocação de afetos mais oportunos. Não menosprezo nenhuma delas e utilizaria todas em condições apropriadas. Se realmente me restringi a um único procedimento terapêutico, ao método que Breuer chamou "Catártico", mas que prefiro chamar de "Analítico", foram apenas motivos subjetivos que me decidiram a fazê-lo.

      Em decorrência de minha participação na criação dessa Terapia, sinto-me pessoalmente obrigado a me dedicar a explorá-la e a construir sua técnica. Posso asseverar que o método Analítico de Psicoterapia é o mais penetrante, o que chega mais longe, aquele pelo qual se consegue a transformação mais ampla do doente. Abandonado por um momento o ponto de vista terapêutico, posso acrescentar em favor desse método que ele é o mais interessante, o único que nos ensina algo sobre a gênese e a interação dos Fenômenos Patológicos. Graças ao discernimento do mecanismo das doenças anímicas que ele nos faculta somente ele deve ser capaz de ultrapassar a si mesmo e de nos apontar o caminho para outras formas de influência terapêutica.



quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Sobre A Psicoterapia

                                                                      Sobre A Psicoterapia


                                                                     Nota Do Editor Inglês

                                                               ÜBER PSYCHOTHERAPIE

                     
                                               (a) EDIÇÕES ALEMÃS:

                                                (1904 12 de dezembro: pronunciada como conferência perante o Wiener                                                      medizinisches Doktorenkollegium.)
                                                1905 Wien. med. Presse, 1° de janeiro, pp. 9-16.
                                                1906 S.K.S.N. I, pp. 205-217. (1911, 2ª ed., pp. 201-212; 1920, 3ª ed.;                                                   1922, 4ª ed.)
                                                1924 Technik und Metapsychol., pp. 11-24.
                                                1925 G.S., 6, pp.11-24.
                                                1946 G.W., 5, pp. 13-26.


                                                (b) TRADUÇÃO INGLESA:

                                                               "On Psychotherapy"

                                                 1909 S.P.H., pp. 175-185. (Trad. de A.A. Brill.) (1912, 2ª ed., 1920, 3ª                                                     ed.)
                                                  1924 C.P., 1, pp.249-263. (Trad. de J. Bernays.)


      A presente tradução [inglesa] é uma versão consideravelmente modificada da que se publicou em 1924.
     
      Esta parece ter sido a última conferência a ser proferida por Freud perante uma plateia exclusivamente médica. (Cf. Jones, 1955, p. 13.)


                                                              Resumo Sobre A Psicoterapia


      1° Publicada Em 1924 - Ainda hoje, a Psicoterapia se afigura a muitos médicos como um produto do misticismo moderno, e, comparada a nossos recursos terapêuticos físico-químicos, cuja aplicação se baseia em conhecimentos fisiológicos, parece francamente acientífica e indigna do interesse de um investigador da natureza. Permita-me, pois, defender ante os senhores a causa da Psicoterapia e destacar o que pode ser qualificado de injusto ou errôneo nessa condenação.





      2° Sobre A Psicoterapia - Em primeiro lugar, permitam-me lembrar-lhes que a Psicoterapia de modo algum é um procedimento terapêutico moderno. Ao contrário, é a mais antiga terapia de que se serviu a medicina. Na instrutiva obra de Loewenfeld, Lehrbuch der gesamten Psychotherapie [1897], os senhores podem verificar quais eram os métodos da medicina primitiva e da medicina da Antiguidade. A maioria deles deve ser classificada de Psicoterapia; induzia-se nos doentes, com vistas à cura, um estado de "expectativa crédula" que ainda hoje nos presta idêntico serviço. Mesmo depois que os médicos descobriram outros meios terapêuticos, os esforços psicoterápicos desta ou daquela espécie nunca desapareceram da medicina.





      3° Tratamento Das Psiconeuroses - As Psiconeuroses são muito mais acessíveis às influências anímicas do que a qualquer outra medicação. Não é um ditado moderno, e sim uma antiga máxima dos médicos, que essas doenças não são curadas pelos medicamentos, mas pelo médico, ou seja, pela personalidade do médico, na medida em que através dele exerce uma influência psíquica. Bem sei, senhores colegas, que muito lhes agrada a visão a que o esteta Fischer deu expressão clássica em sua paródia do Fausto:


                                                               Ich weiss, das Physikalische
                                                               Wirkt öfters aufs Moralische.    

                                                               Sei que o físico
                                                               Amiúde influencia o moral.

       Porém não seria mais adequado, e mais frequentemente acertado, dizer que se pode influir sobre o lado moral de um homem com meios morais, ou seja, psíquicos?