sábado, 1 de março de 2014

Terapia Familiar

                                                                     Saiba  +

               Terapia Familiar Orientada Psicanaliticamente Segundo Horst Eberhard Richter


     As doenças psíquicas, segundo o modelo de Richter, resultam dos papéis atribuídos à pessoa pela respectiva família. Esta se desenvolve a partir das expectativas mútuas, Conscientes ou Inconscientes, de seus membros. Os papéis familiares tem  a função de mitigar as tensões inerentes aos conflitos. Caracteristicamente, os conflitos não são resolvidos dentro da família, mas seus membros, individualmente, assumem papéis por meio dos quais esses conflitos são reavaliados ou compensados. Esses papéis servem também para a Manipulação. Segundo Richter, há cinco tipos neuróticos de papéis familiares:


  1. Parceiro Substituto - um membro é coagido a funcionar como companheiro substituto, por exemplo, quando o filho substitui o pai falecido diante da mãe;
  2. Cópia ou Decalque - no qual um membro familiar exerce a função de representar, na forma de cópia, a auto-imagem de outro membro. Assim, por exemplo, a mãe, desejosa de ter uma aventura, acusa o pai de tê-la traído; 
  3. Papel do Self (Ing.; al., Selbst) Ideal - ele tem de realizar um ideal que outro membro não pôde realizar. Desse modo, esta pessoa recebe muita atenção e consideração. Quando não atingiu seus objetivos, o pai exige de seu filho altos níveis de desempenho;
  4. Papel do Self (Ing.; al., Selbst) Ideal Negativo - ocorre quando um membro familiar assume o lado negativo de outro membro. Este membro é o Bode Expiatório do sistema familiar;  
  5. O Aliado - um membro é coagido, nos conflitos dentro e fora da família, a fazer uma espécie de aliança com outro membro. Assim, por exemplo, quando há briga de casal, a mãe pode tentar combater o pai com a ajuda dos filhos.

Horst Eberhard Richter (*1923)

     Richter distingue três espécies de família neurótica:



  1. A Família Sanatório - é aquela que despreza todo estímulo externo e tenta impedir a autonomia de seus membros;
  2. A Família Fortaleza - na qual todos os sentimentos negativos são projetados em pessoas de fora da família. Desse modo, as relações internas da família são fortalecidas;
  3. A Família-Teatro - na qual todos os impulsos narcisistas são resolvidos no interior da própria família.

     Na Terapia, a própria família define o tema a ser abordado. O Terapeuta é, aqui, um ouvinte atento. Ele tenta penetrar empaticamente a estrutura de papéis da família em questão, tornando claros para ela esse sistema de papéis com suas consequências. A família deve ser motivada a trabalhar os problemas decorrentes dos papéis de modo autônomo, fora da terapia, e a evitar a fixação de papéis familiares.




sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Terapia Familiar

                                                                          Saiba  +

                             Terapia Familiar Centrada Na Experiência Segundo Virginia Satir


     Famílias pequenas, formadas no século 20, são frequentemente sobrecarregadas com sentimentos, expectativas e relações. Ideais como o de par romântico, fidelidade e amor paterno protetor, na maioria das vezes, não são realizáveis. Disso resultam crises de relacionamento, separações e conflitos entre as gerações. Nos casos mais graves, podem surgir distúrbios psíquicos em um ou em mais membros da família. Os membros da família adoecem, individualmente, a fim de proteger o sistema familiar como um todo. Cada um dos membros contribui para a estabilidade do sistema. Satir faz uma distinção entre o sistema familiar perturbado e o estimulante ou facilitador.

     Num Sistema Familiar Perturbado, a comunicação é emocionalmente pobre, como expressões lacunares e um modo de  falar baixo ou, então, muito alto. Os membros tem dificuldades em escutar uns aos outros, mantendo raramente contato visual. A postura corporal rígida e o mau humor são característicos dos membros desse tipo de família. 

     Em um Sistema Familiar Estimulante, contrariamente, a linguagem é clara e objetiva, conversando-se também sobre sentimentos. Os membros escutam uns aos outros, e mantem frequentemente contato visual. O estado de ânimo é otimista, e a linguagem corporal é variada e flexível. 

Virginia Satir (1916-1988)


     Há quatro padrões de comunicação que podem ser empregados por um membro a fim de proteger a sua autoestima nos embates familiares: pacificação, reclamação, racionalização e distração.
  1. Pacificação - optando pela pacificação, o membro familiar procura não irritar os outros, utilizando por isso expressões cuidadas e assentindo a todas as afirmações dos demais membros. Ele próprio se sente medíocre, buscando continuamente a culpa em si mesmo. O medo de vir a ser abandonado é muito grande;
  2. Reclamação - quando, contrariamente, os membros da família vem um deles como mais forte, então pode vir a ser empregado o modelo da reclamação. O membro da família argumenta alto e bom som e não espera pela resposta. Não interessa o que é dito nem se tem significação. Trata-se apenas de mostrar aos outros que tem o poder. A própria pessoa se sente muitas vezes incompreendida, sem valor e solitária. O ataque é usado como defesa;
  3. Racionalização - o membro familiar fala de modo razoável e esclarecedor, mas num tom monocórdio. O conteúdo de sua fala não tem nenhuma relação com os próprios sentimentos. O membro tem medo dos sentimentos e de perder o controle. Por meio do seu modo de falar, ele provoca nos outros tédio e aversão;
  4. Distração - por meio de uma rápida mudança de assunto, o membro procura preservar o outro de uma ameaça qualquer. Não se entra no mérito da questão, evitando-se temas concretos. O próprio membro se sente desorientado.

     Na Terapia, em primeiro lugar, a história da família é reconstruída. As experiências infantis dos pais também são importantes. Pode-se elaborar a árvore genealógica da família ou ainda coligir todos os costumes e histórias da família. Frequentemente se montam álbuns de família. Nessa forma de Terapia a interação e a comunicação também estão em primeiro plano. Os padrões de comunicação mencionados podem ser trabalhados e flexibilizados por meio da Representação de Papéis. 



Terapia Familiar

     Nessa forma de Terapia, em primeiro plano não se encontra o indivíduo, mas toda a Família. Parte-se do princípio de que os problemas do indivíduo surgem da inter-relação entre os membros da respectiva Família. Cada Família tem a própria estrutura, e seus membros desenvolvem o próprio modo de lidar uns com os outros.

     A família é determinada por meio de suas estruturas de comunicação, suas expectativas e pontos em comum. Cada membro da família atua sobre o outro e é, por sua vez, influenciado por este. Distúrbios anímicos são considerados distúrbios da comunicação familiar. Na Terapia, trata-se de mostrar aos membros da família novas possibilidades, novos estilos de comunicação e modos de comportamento, por meio dos quais a relação entre eles possa ser melhorada.



quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Gestaltoterapia Ou A Terapia Da Gestalt

     A Terapia Gestalt (ou da Forma) foi fundada por Fritz Peris (1893-1970). É uma forma holística de terapia baseada na Psicologia Profunda, na Teoria Gestalt e na Filosofia da Existência. A vida humana é concebida como processo contínuo, no qual o indivíduo se encontra permanentemente em uma interação produtiva com seu meio ambiente. Peris parte, assim, de um processo de crescimento constante, bem como do potencial e da motivação interna humanos para a saúde psíquica e espiritual.


Fritz Peris (1893-1970)

     As pessoas sadias mantem um equilíbrio orgânico entre fazer contato e afastar-se. Quando sobrevém um distúrbio psíquico, esse ciclo é interrompido conforme a intensidade do distúrbio. Além disso, surge em primeiro plano, em conformidade com a necessidade da situação, um pensamento ou um sentimento como figura (ou forma) que deve ser satisfeita. Sendo possível a sua satisfação, então a forma pode retornar ao Inconsciente, dando lugar para uma nova necessidade. 
     Se, porém, a necessidade não puder ser satisfeita, surgem então distúrbios de contato. Para controlar esses distúrbios, são desenvolvidas determinadas estratégias. Uma delas é o esmaecimento dos próprios limites, no sentido de uma delimitação deficiente entre interior e exterior. Outras estratégias são a substituição de necessidades próprias por alheias, bem como a projeção, pela qual sentimentos próprios são desvalorizados e transferidos a outros. Do mesmo modo, impulsos agressivos, originalmente dirigidos a outros, são voltados para si mesmo.

     Os objetivos dessa terapia são o crescimento, a auto realização e a assunção de responsabilidade por si mesmo. Na sessão terapêutica estão em primeiro plano a vivência e o comportamento mais importantes para o paciente no momento. Desse modo se forma uma Gestalt, que reflete o sentimento atual. A pessoa deve, durante a terapia, ser sensibilizada para a percepção de situações e necessidades. Só assim é possível estimular o poder da autocura. A pessoa em questão deve reconhecer quando e como ela evita certos sentimentos e assuntos. Se existem situações do passado irresolvidas, estas devem ser revividas em diálogos, representações teatrais ou imaginações. Desse modo são liberados sentimentos e lembranças reprimidos, de modo que a forma aberta possa fechar-se novamente. 

     O terapeuta traz à expressão sentimentos e comportamentos do paciente, que por ele não são mais conscientemente percebidos. Sentimentos desagradáveis, como luto ou ódio, devem ser consentidos, a fim de que se possa ir à sua raiz. Assim, a pessoa pode contemplar-se de um modo mais realista e honesto, aceitar-se e desenvolver novos padrões de vivência.

Gestaltoterapia

                                                                     Saiba  +

                                           Os Nove Mandamentos Da Terapia Da Gestalt


     A Gestaltoterapia teve uma grande difusão nos anos 1960, na época, portanto, dos protestos da juventude e do movimento Hippie. Com base na assim chamada Filosofia Anárquica, foram desenvolvidos os Nove Mandamentos da Terapia Gestalt:

  1. Vive Agora! Cuida do presente, e não fantasia com passado ou futuro.
  2. Vive Aqui! Ocupa-te com os presentes, em vez de que com os ausentes.
  3. Para de representar as coisas! Experimenta a realidade!
  4. Para de pensar inutilmente! Melhor: prova e vê!
  5. Expressa-te! Em vez de manipular, explicar, justificar e julgar.
  6. Confia! Confia-te tanto ao agradável quanto ao desagradável.
  7. Diz Não! Não aceita nenhum "deve" ou "precisa" senão os próprios.
  8. Assume! Sê responsável por todos os seus pensamentos, sentimentos e ações.
  9. Aceita! Aceita a ti (aos outros) como és (como são) agora.

                                     (Apud: MARCUS, E. Gesralttherapie. Hamburg, 1979.)



quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Consultoria Psicológica - O Que Vem A Ser?

     As clinicas de Consultoria são pontos de escala para pessoas que desejam falar sobre temas e questões pessoais. Numa Consultoria Psicológica são abordados conflitos estressantes, que podem sobrevir em determinadas fases ou situações da vida. Em primeiro plano estão as crises e o respectivo controle. As consultorias oferecem serviços de Aconselhamento Psicológico específicos, destinando-se a uma determinada clientela. O trabalho de Aconselhamento Psicológico baseia-se nos recursos e possibilidades de desenvolvimento do indivíduo.
     Existem consultorias educacionais que oferecem apoio à família, em problemas tais como conflitos entre pais e filhos, dificuldades na escola, separação do casal, violência familiar ou crises da juventude. Buscam-se soluções para problemas educacionais, e encaminham-se medidas de controle de distúrbios e crises. Muitas clinicas de consultoria também oferecem Terapias para crianças, jovens e pais. Profissionais, como educadores e professores, também são aconselhados.



      Além da conversação, também podem ser oferecidas informações sobre o auxílio social, bem como formados grupos de maternos ou lúdicos. Outro possível campo de atuação é o Aconselhamento Sexual. Em primeiro plano estão, nesse caso, a educação ou esclarecimento sexual, o acompanhamento de distúrbios sexuais, preparações para a maternidade ou prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS por exemplo. No caso do Aconselhamento Psicossocial voltado para a dependência de drogas, além das medidas profiláticas, como campanhas de esclarecimento em escolas, são oferecidos também o Aconselhamento de Adictos e o apoio na escolha e procura de Terapias adequadas bem como possibilidades de desintoxicação.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Mediação

     A Mediação é um procedimento extrajudicial de solução de conflitos, no qual as partes conflituosas devem desenvolver autonomamente soluções, que contribuam para a satisfação de todas as partes envolvidas.
     Quando há um conflito entre duas pessoas, a consulta a uma terceira pessoa que seja neutra pode facilitar a solução. Parte-se do princípio de que ambas as partes possuem a mais alta competência para solucionar o conflito. As partes são apoiadas por um Mediador Neutro, que defende os interesses de todos os participantes. Quando, durante a tentativa de solução, surge entre as partes algum desequilíbrio, este é tematizado pelo Mediador, que procura, desse modo, restabelecer o equilíbrio perdido. 
     O objetivo da mediação são regras e acordos sobre como as partes querem inter-relacionar-se no futuro. No começo de uma mediação, as partes conflituosas são esclarecidas acerca dos princípios, fins e do conteúdo desse procedimento. Com frequência, regras e condições são estabelecidas em um contrato de mediação. É imprescindível que se deixe o outro falar, e que o diálogo seja conduzido de um modo leal. 



     O processo de mediação pressupõe também a participação de livre e espontânea vontade das partes. O mediador determina, com seu comportamento e seus valores, o clima da conversação. Como um modelo, ele mostra como as pessoas podem lidar umas com as outras. Em seguida, os temas em disputa são descritos. Cada parte pode expor seu ponto de vista, sendo também esclarecidos pelo Mediador em que pontos já há coincidências. Com base nisso se elaboram, então, as possibilidades de solução. O Mediador auxilia as partes a terem compreensão para com o ponto de vista da outra. É importante, aqui, descobrir quais são os interesses e necessidades do outro. Na solução do conflito, os interesses de ambas as partes devem ser contemplados, e não, por exemplo, impor à força a própria posição. A partir das alternativas de soluções levantadas, entra-se, por fim, num acordo, o qual deve ser assentado por escrito.




     A mediação de conflitos pode ser empregada em diversos setores. No contexto familiar, por exemplo, são elaboradas sobretudo as consequências de brigas e separações dos casais. Em primeiro plano estão, nesse caso, questões legais acerca do poder familiar, pensão, etc. Mas a mediação vem ganhando em importância também na vida econômica. Com efeito, esse procedimento tem sido empregado nos locais de trabalho, assédio moral ou mobbing, conflitos tarifários, fusões ou aquisições corporativas. Outro importante campo de ação da mediação é a escola. Aqui se trata, principalmente, do controle de conflitos entre alunos e da prevenção de violência. É frequente, nesse caso, a assim chamada Mediação por Pares (em inglês, Peer Mediation). Alunos selecionados são treinados em arbitragem ou solução de conflitos, e então passam a auxiliar os colegas a chegarem a um entendimento.